Artigos LEC | Programas de integridade em meio à instabilidade econômica
11826
single,single-post,postid-11826,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,select-theme-ver-3.3,wpb-js-composer js-comp-ver-4.12,vc_responsive

Programas de integridade em meio à instabilidade econômica

Por André H. Paris*

O atual contexto de instabilidade econômica ocasionou uma série de medidas de austeridade. E nesse cenário, que implicou também na redução de capitais estrangeiros e na desconfiança do mercado externo em relação aos produtos e serviços de origem brasileira – vide os desdobramentos da Operação Carne Fraca – é natural que um dos primeiros setores a sofrer com a redução de custos seja o de compliance.

programa-integridade

Apesar de ser uma área essencial para a sobrevivência do negócio, o investimento em compliance é pouco sedutor no que diz respeito ao aspecto financeiro. Isso porque dificilmente trará um retorno em curto prazo para a atividade empresarial, algo que, em tempos de incerteza econômica, é ainda mais desejado pelo empresariado.

Entretanto, em contraste com o baixo retorno financeiro a curto prazo, um programa de integridade efetivamente implantado na organização importa em ganhos imensuráveis a longo prazo. Já imaginou, por exemplo, que os inúmeros danos reputacionais experimentados por empresas como Odebrecht, OAS, JBS e BRF poderiam ter sido evitados ou ao menos minimizados caso elas estivessem de fato em compliance?

No momento de escolher em qual setor investir seus recursos, mesmo que eles sejam reduzidos em razão da recessão econômica, é comum que o empresário avalie a necessidade do mercado antes de tomar decisões. Eu te pergunto: existe hoje alguém que duvide de que o principal clamor dos mercados interno e externo é por posturas éticas e íntegras na forma de fazer negócios, tendo em vista o atual contexto sociopolítico?

Mas então como destinar recursos para a implantação ou efetivar a operacionalização de um programa de integridade tendo um orçamento reduzido e estando em um cenário de instabilidade financeira? E como ultrapassar esse período sem que, por vezes, a empresa disponha dos recursos que gostaria para destinar às políticas de ética e conformidade?

Um possível primeiro caminho é o direcionamento dos esforços e recursos disponíveis na prevenção, apuração e reposta das não-conformidades as quais a empresa se encontra mais exposta e àquelas que possam culminar em danos mais graves. Nesse momento, investir é preciso e as organizações devem se adaptar ao contexto e superar suas limitações financeiras, pois uma coisa é certa: sem um programa de compliance vencer a recessão pode ser ainda mais improvável.

 

* André H. Paris é advogado criminalista e consultor de Compliance do escritório Peter Filho, Sodré & Rebouças Advogados