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Quando a transparência realmente gera valor para todos os parceiros de negócio

A crise é geral e está pegando de jeito quase todo mundo. Mas, no mundo dos negócios, empresas em crise são uma constante, não importa se por problemas causados por erros de gestão, circunstâncias de mercado, mudanças tecnológicas ou uma terrível combinação de fatores. E geralmente, quando uma empresa entra em uma espiral de problemas mais séria, em menor ou maios escala, ela arrasta uma série de outras empresas. Fornecedores, bancos e até mesmo clientes acabam tendo que lidar com o problema, uma vez que a empresa precisa do apoio deles para sair da crise. Por outro lado, eles precisam que a empresa sobreviva e volte aos trilhos para receber o que lhes é devido. É uma situação daquelas na qual um precisa do outro, ainda que a contragosto. E quanto maior a empresa, maior o envolvimento necessário dos atores externos, já que o tamanho do problema a ser equacionado costuma ser maior também.

Nesse processo, a confiança entre as partes é um aspecto fundamental. Mas, como estabelecer essa relação num ambiente que já costuma estar carregado, tenso e estressado? Ser transparente e jogar aberto com todos os envolvidos costuma ser a melhor alternativa.

FÁBIO DE AGUIAR, DA XINFINITY: abetura de informações para os parceiros de negócios torna o processo de renegociação mais seguro e efetivo.

O mercado de reestruturação e recuperação de empresas de médio e grande porte é atendido por uma extensa gama de empresas, das grandes consultorias multinacionais até escritórios locais mais ou menos especializados. Em meio a esse cenário, a Xinfinity Invest, uma consultoria brasileira especializada em reestruturação de empresas com foco no middle market, encontrou uma maneira de se diferenciar: o foco em governança e compliance.

A visão da empresa é muito simples. É preciso que todos os envolvidos estejam a par de todos os planos. A consultoria implementa uma série de processos, como orçamento base zero, programas de meritocracia, estudos de meio circulante entre outras ferramentas que ficam armazenadas e podem ser acessadas por todos os envolvidos, como os bancos e os fornecedores, que passam a ter acesso aos dados da empresa em tempo real. “Numa reestruturação, você precisa fazer uma série de renegociações com instituições financeiras e fornecedores. Eu disponibilizo na nuvem da empresa o orçamento base zero, o fluxo de caixa, as projeções para o ano, o planejamento estratégico, contas a pagar e a receber, o nível dos estoques, o que foi atingido do meu orçamento. Coloco todos os fechamentos no quinto dia útil e todos os indicadores na nuvem”, explica Fábio de Aguiar, CEO da consultoria. Isso permite que um banco tenha visibilidade para fazer uma liberação de crédito ou uma repactuação. Ou que um fornecedor consiga enxergar quando a sua fatura será paga, acessando o fluxo de caixa da empresa. “Isso traz uma transparência muito grande para a operação. E nos obriga a ter um nível de compliance muito forte para ter segurança nessas informações. Essa transparência é o que nos diferencia no mercado”, emenda.

 

INFORMAÇÃO COMPARTILHADA

A grande maioria dos contratantes da Xinfinity são empresas que tem o próprio dono à frente do negócio. E se não costuma ser fácil para um empresário ter de admitir que precisa de ajuda externa para conseguir “salvar” a sua própria empresa, imagine expor as entranhas feridas dela para seus parceiros de negócios. E isso num País onde o fracasso não é visto como parte do processo de aprendizado. Por isso, desde o contato inicial da empresa com a consultoria, os trabalhos iniciais passam pelo próprio DNA da empresa contratante. A consultoria atua muito para anular uma eventual mentalidade de negação dos donos e controladores de empresas, uma vez que essa negação impossibilita totalmente a mudança da cultura empresarial e a abertura de seus processos internos para os parceiros. Inclusive, no contrato é assinado um termo que permite a divulgação das informações da empresa no ambiente virtual para os seus parceiros. “Se esse documento não for assinado, o contrato não é validado e os trabalhos não se iniciam”, pontua Fábio. O compartilhamento das informações, segundo o próprio diretor da Xinfinity, é diretamente proporcional ao sucesso final. Por exemplo, numa negociação com um banco, o natural é que cada um tente puxar a sardinha para o seu lado. “O banco te faz uma proposta para que você pague geralmente num prazo mais curto do que o necessário. Já a empresa faz uma contraproposta tentando alargar o pagamento talvez para algo além do necessário. Só que nenhum dos dois está fazendo uma proposta em cima da situação de caixa real da companhia”, alerta o executivo. A partir do momento em que todos trabalham com os números reais da empresa é possível ter clareza do montante que a empresa pode pagar por mês (nem a mais nem a menos) e em qual prazo. “Se eu não consigo pagar o próximo passo é a recuperação judicial. Não é melhor para todos negociar e construir em conjunto o processo de alongamento da dívida?”, questiona Fábio. Na prática, com essa postura a consultoria consegue prazos maiores, redução de juros e acesso a linhas de crédito, tudo porque os bancos enxergam a situação real da empresa com a qual estão negociando.

E é importante frisar que a transparência não pode ser confundida apenas com a distribuição de boas notícias. O objetivo é manter constante a troca de informações relativas à empresa e seus parceiros de negócios. “A pior notícia que existe não é nem a boa e nem a ruim. É a que não chega”, afirma o CEO da Xinfinity, que acredita que quando se oferece uma luz para quem está envolvido no processo, não importa se a informação é boa ou ruim, você estabelece um ponto de partida e consegue enxergar um caminho, que pode lhe mostrar um ponto de chegada. “Uma má notícia pode ser muito mais positiva do que a falta de notícia. E essa é a mentalidade a ser seguida, mesmo com a conclusão do processo de reestruturação”, conclui.

 

Publicado originalmente na revista LEC edição número 16.