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Risco verde

A Natural Capital Declaration, uma iniciativa global liderada por instituições financeiras com o suporte da ONU e de outras organizações não governamentais, lançou um projeto para investigar o impacto de seus portfólios de empréstimos corporativos no âmbito de risco ambiental.

Em um primeiro passo, esse projeto piloto desenvolverá uma estrutura de análise para que os testes de estresse bancário incluam também cenários de resiliência econômica para indústrias de peso global em caso de ocorrência de secas extremas. O projeto desenvolverá cenários para cinco países – Brasil, México, China, EUA e Índia. Por aqui, o projeto conta com o apoio do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Para Marina Grossi, presidente do CEBDS, falar de água e da necessidade de racionalizar e compreender os impactos do seu uso em um país que é detentor de cerca de 12% de toda a água doce disponível no planeta é crucial. “O risco hídrico já foi apontado na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, como a principal ameaça para a sobrevivência de nossos sistemas produtivos. As empresas que ainda não consideravam os impactos de um cenário de restrições no uso da água em seus planejamentos estratégicos perceberam que precisam se preparar para situações desse tipo. Em paralelo, bancos e investidores também se preparam para este novo cenário, estudando sobre como devem também criar incentivos que possam privilegiar empresas mais eficientes no uso da água”, refletiu.

Financiado pelo governo alemão, o projeto vai agregar os últimos avanços em ciência ambiental com técnicas modernas de projeção de risco. A RMS — empresa especializada em desenvolver modelos para catástrofes e que trabalha em parceria com acadêmicos de universidades europeias e centros globais de pesquisa – foi encarregada de desenvolver um cenário de seca para que instituições financeiras possam entender melhor sua exposição a riscos ambientais. O presidente da RMS, Daniel Stander, acredita que o projeto tem o potencial para proteger o PIB dos países de riscos provenientes da exposição de instituições financeiras a riscos ambientais. “O projeto pode também estimular corporações no mundo todo a tomar atitudes sustentáveis em seus negócios”, disse.

Nove instituições financeiras internacionais ajudarão a desenvolver e a testar os parâmetros analíticos para garantir o desenvolvimento de uma abordagem homogênea e sistemática. Entre os bancos participantes estão os brasileiros Caixa, Itaú e a operação local do Santander, além de casas globais, como o Citibank, dos Estados Unidos, e o suíço UBS.

O projeto será orientado por um conselho composto por especialistas de agências de classificação de risco, como a Standard & Poors; iniciativas globais, como o Programa da ONU para o Meio Ambiente; e instituições científicas, como a Universidade de Cambridge, da Inglaterra.

Para Liselotte Arni, diretora para Riscos Ambientais e Sociais da UBS, apesar de ser um fenômeno global, o impacto das mudanças climáticas será percebido de maneira diversa em diferentes geografias. “Esse projeto investigará ideias novas, já que levará em conta variações locais enquanto testa o estresse do impacto de cenários de seca nos indicadores da qualidade de crédito em diferentes indústrias e regiões”, acredita.

“Esse projeto multidisciplinar é bastante oportuno. Os bancos estão começando a experimentar maneiras de avaliar sua resiliência no que diz respeito a impactos climáticos. E reguladores financeiros estão explorando opções para testar as consequências de fatores ambientais, como a mudança climática”, explica Nick Robins, co-diretor de Investigações do Programa da ONU para o meio ambiente.

Publicado originalmente na revista LEC edição número 14.