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Para especialista, multa contra KPMG no caso Rolls-Royce é remota

Responsáveis por auferir balanços financeiros, empresas de auditoria vira e mexe entram no olho do furacão sob a alegação de que falharam ao não enxergar desvios de conduta e balanços forjados.

Um dos casos mais recentes é a investigação do Financial Reporting Council (FRC), regulador independente responsável pela promoção da governança corporativa e pelos padrões de auditoria no Reino Unido, sobre a KPMG, uma das “BIG 4”, que auditou o balanço da Rolls-Royce por mais de 20 anos.

De acordo com o Serious Fraud Office, o órgão britânico de combate a fraudes e corrupções, a Rolls-Royce pagou US$ 56 milhões em propinas por mais de três décadas, em 13 países. A empresa recebeu multas totais de 671 milhões de libras (cerca de R$ 2,7 bilhões).

Mas, a depender do histórico da FRC em casos do tipo, a probabilidade de a investigação aplicar uma multa à KPMG é remota. Ao menos essa é a opinião de Rahul Rose, pesquisador sênior da ONG britânica Corruption Watch. Em artigo publicado no site FCPA Blog, ele lembra que, desde 2008, as autoridades do Reino Unido impuseram sanções em 24 casos ligados a corrupção internacional além de muitas outras investigações.

Mas, o caso envolvendo Rolls Royce e KPMG é apenas o segundo relacionado a suborno internacional aberto pelo FRC. Rose lembra no texto publicado no FCPA Blog que o outro caso também diz respeito à KPMG, por auditorias realizadas nos balanços da fabricante de equipamentos aeroespaciais BAE Systems, que se declarou culpada em 2010 de práticas de suborno no exterior e aceitou pagar US$ 450 milhões às autoridades norte-americanas e britânicas.

O FRC também abriu investigações sobre o caso, mas de acordo com Rose, encerrou o caso em 2013, após três anos de investigação, com a alegação de que o inquérito, que analisou a eventual falta de conduta entre 1997 e 2007, não era mais do interesse público, já que muitos anos haviam de passado desde a alegada irregularidade. Ainda de acordo com Rahul Rose, a decisão foi controversa, já que segundo ele existiam fortes evidências de práticas irregulares na empresa. Citando grupos da sociedade civil que protestaram a época, Rose diz que “o auditor não prestou atenção, em especial, às alegações de corrupção contra a BAE publicadas pelo jornal The Guardian a partir de 2003”.

“É imperativo que o FRC realize uma investigação completa sobre as auditorias da KPMG da na Rolls-Royce e, ao contrário do caso BAE, averigue a fundo se o auditor deveria ter feito um melhor trabalho ao detectar evidências de corrupção”, sintetiza o pesquisador.