Artigos LEC | A importância dos controles internos
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A importância dos controles internos

Eles podem evitar que a sua empresa seja lesada

Por Daniel Sibille *

Uma das intervenções mais frequentes do profissional de compliance com as diferentes áreas de negócios da empresa é a necessidade de fornecer a sua aprovação para que campanhas de marketing, doações, cortesias comerciais, descontos, entre outros possam seguir o seu rumo. Essa necessidade de validação do compliance acontece graças à existência de controles internos criados com o objetivo de monitorar as situações de risco às quais uma empresa pode estar exposta, ou vir a estar.

Manter controles internos efetivos é a grande chave de segurança dos programas de integridade. São eles que garantem que as normas e códigos da empresa serão seguidos, independentemente da vontade dos profissionais das diferentes áreas da companhia.

O ATOR PHILIP SEYMOUR HOFFMAN NA PELE DO FRAUDADOR DAN MAHOWNY: controles internos fracos permitiram desvios para sustentar o vício no jogo.

Se pensarmos no triângulo da fraude, teoria forjada pelo estudioso norte-americano Donald R. Cressey, que preconiza que uma fraude é cometida quando existem, necessariamente, três elementos: Oportunidade, Necessidade e Racionalização, fica fácil de entender a importância dos controles internos. Eles são anticorpos suficientemente eficientes para eliminar o elemento da “Oportunidade”, afinal, o potencial fraudador – ainda que tivesse a intenção de fraudar e mesmo que se achasse merecedor do benefício gerado pela fraude – não teria os meios para praticá-la.

“Trusted persons become trust violators when they conceive of themselves as having a financial problem which is non-shareable, are aware this problem can be secretly resolved by violation of the position of financial trust, and are able to apply to their own conduct in that situation verbalizations which enable them to adjust their conceptions of themselves as trusted persons with their conceptions of themselves as users of the entrusted funds or property”, disse Donald R. Cressey, no seu livro Other People’s Money (dinheiro dos outros, numa tradução livre). Também numa tradução livre e bastante simplificada, o que podemos extrair é que pessoas originalmente honestas podem criar uma narrativa própria que torna aceitável, segundo os seus termos, o desvio de recursos financeiros ou materiais dos outros para o seu próprio benefício.

A criação dos controles deve ocorrer com a condução de uma análise de risco bastante efetiva, que lhe dará a capacidade de mapear corretamente os riscos existentes em cada aspecto do negócio, criando “travas” para as aprovações de uma operação.

Além dos controles em si, é muito importante para o profissional de compliance efetuar o monitoramento e a auditoria dos controles. Afinal, com o passar do tempo, os negócios se desenvolvem e outros riscos aparecem. Dependendo da natureza do negócio, alguns controles se tornam inócuos em pouquíssimo tempo. Por isso, a revisão periódica do programa de compliance como um todo é o segredo de ouro para manter a condução dos negócios saudável e transparente.

* Daniel Sibille, Diretor de Compliance LATAM da Oracle

 

As opiniões representam a visão do articulista, e não da empresa.

Publicado originalmente na revista LEC edição número 10.